Papas de aveia

Durante a minha estadia na Índia as papas de aveia foram o meu pequeno-almoço de eleição e trouxe esse hábito quando voltei para Portugal. É uma refeição cozinhada pelo que é o pequeno-almoço de eleição para as pessoas do dosha (biotipo) VATA, mas arrisco-me a dizer que é o pequeno-almoço ideal para qualquer dosha. Mesmo durante o panchakarma (programa de desintoxicação) que fiz na Índia, as papas de aveia eram o pequeno-almoço aconselhado.
Aqui vai uma receita fácil, rápida e muito saborosa:
• Coloque uma chávena de água a ferver,
• Junte canela, curcuma e 1 semente de cardamomo (descascada), ou outras especiarias a gosto,
• Junte uma chávena de flocos de aveia e mexa um pouco,
• Retire do lume, coloque numa taça, adoce com uma colher de mel e junte nozes, sultanas douradas e côco ralado, ou outros frutos secos a gosto.
E bom apetite!

Bagas goji

Na minha última ida ao supermercado tive uma agradável surpresa: bagas goji frescas. Só conhecia as bagas secas pelo que quando o Sr. Alberto me perguntou se eu queria provar nem hesitei. Uma palavra apenas: MARAVILHOSAS!
Esta pequena fruta é tão rica a nível nutricional que é considerada um superalimento. As bagas goji são uma fonte da proteína completa contendo 18 aminoácidos diferentes entre os quais os 8 essenciais. São riquíssimas em minerais e ainda em vitaminas B (B1, B2 e B6), C e E. São também um poderoso antioxidante.
Estas vieram de uma cultura biológica de Trás-os-Montes e, não fosse o preço, era capaz de as comer todos os dias.
E por aí, alguém já provou bagas goji frescas?

Jñana Mudrá

As mudrás são gestos simbólicos e reflexológicos. A palavra mudrá quer dizer selo ou chave e a sua execução permite abrir a porta do inconsciente coletivo induzindo certos estados mentais e energéticos.
Esta mudrá é amplamente utilizada na prática de pránáyámas, exercícios respiratórios, e também de meditação. Os dedos indicador e polegar unem-se pelas pontas e os outros dedos permanecem juntos e estendidos. O círculo efetuado pelos indicador e polegar fecha um circuito eletromagnético no corpo subtil do praticante impedindo que a energia se disperse durante a prática de Yoga.
Esta mudrá estimula a respiração e a irrigação sanguínea no cérebro, aumenta as capacidades intelectuais e a memória e facilita a concentração no ajña chakra, o terceiro olho, o ponto entre as sobrancelhas.
É a minha mudrá de eleição para os pránáyámas. Não é a que mais uso para meditar, mas ao usá-la prefiro com as palmas voltadas para baixo e os dedos esticados de uma forma mais descontraída.

Udavartanam – a massagem queima gorduras

Finalmente chegou a encomenda vinda da Índia com o pó de Vacha. Este pó juntamente com óleo de mostarda é usado na massagem Udavartanam, a massagem queima gorduras. Quer o óleo de mostarda quer o pó de Vacha aquecem o corpo permitindo a este desintoxicar, drenar e queimar gorduras. Esta massagem é uma massagem redutora indicada para problemas de obesidade, celulite, colesterol, metabolismo lento, entre outros. Uma série de massagens acompanhadas pela dieta adequada resultam numa perda de peso garantida. Mesmo a tempo do Verão!

Natarájásana – a posição do dançarino

Natarája é a representação do deus Shiva como dançarino cósmico. Através da sua dança ele transforma, destruindo para construir de novo.
Assim, simbolicamente falando, esta posição de equilíbrio em pé com retroflexão, é uma posição de transformação.
É uma posição exigente pois trabalha equilíbrio, flexibilidade e força. Fortalece o pé e a perna de apoio, trabalha a extensão da coluna, a anca, os glúteos, abre o peito, alonga os ombros e o braços.
Sendo uma posição de equilíbrio permite trabalhá-lo desde os corpos mais densos (o equilíbrio físico) aos mais subtis (equilíbrio emocional e mental). É também altamente benéfica para promover a concentração.
Como retroflexão trabalha o chakra do coração, enche-nos de vitalidade e aumenta a auto estima. Fortalece o sistema digestivo e o respiratório e também o endócrino ao estimular as supra-renais.
Para mim, é notório como as minhas emoções e os meus pensamentos afetam o meu desempenho nas posições de equilíbrio. Num dia mais agitado é ver-me a baloiçar como uma árvore ao vento. Nestes dias tenho que aumentar o foco na respiração e me concentrar ainda mais.
Mas a minha maior dificuldade está em manter o quadril alinhado. A tendência é abrir o quadril à medida que se eleva a perna. Baixo então um pouco a perna, encaixo novamente o quadril, contraio a musculatura das pernas e das nádegas e subo novamente. E deixo-me estar ali, imóvel, focada em mim, no meu ser.

Ervilhas

Adoro ervilhas, mas das frescas, das verdadeiras, não daquelas dos pacotes congelados que se vendem no supermercado cujo sabor e qualidade não se podem comparar. Este gosto não nasceu comigo. Lembro-me de em miúda separar meticulosamente as ervilhas do arroz, como que se aquelas bolinhas verdes estivessem a atrapalhar a brancura do arroz.
É um alimento altamente alcalino e riquíssimo em nutrientes como vitaminas (A, B1, B2, B3, B6, C, K), ácido fólico, fósforo, magnésio, cobre, ferro, zinco, potássio, fibras e proteínas.
Segundo a Ayurveda, as ervilhas são praticamente um alimento tridosha, ou seja, bom para qualquer um dos doshas (Vata, Pitta ou Kapha).
Hoje o almoço foi macarrão com ervilhas e pinhões:
• Colocar a massa a cozer (hoje usei macarrão integral mas tento sempre variar as massas usando de milho, espelta, kamus, e fugir um pouco ao trigo);
• Saltear em azeite as ervilhas e os pinhões e temperar a gosto (hoje foi com tomilho, mas também gosto muito com sementes de cominhos);
• Escorrer a massa, misturar com as ervilhas e os pinhões e polvilhar com sementes de sésamo acabadas de estalar;
• Para os mais gulosos, acrescentar uns cubinhos de queijo feta fica divinal.
Rápido, simples, saudável e saboroso.
Bom apetite!

Yamas e Niyamas

Quando se pensa em Yoga vem-nos à cabeça imagens espetaculares de posições físicas (ásanas) quase acrobáticas. Mas o Yoga não é apenas uma prática física que favorece a saúde e o bem-estar. É muito mais que isso. É uma filosofia de vida. O Yoga Sutra de Patañjali, um dos textos mais importantes sobre Yoga, sistematiza a técnica yogui detalhadamente dividindo-a em oito partes. Cada uma das partes depende da anterior. As duas primeiras, as bases da filosofia yogui, são os Yamas e os Niyamas.
Enquanto os Yamas estão relacionados com a conduta social e a interação com os demais, os Niyamas referem-se à conduta pessoal e à atitude interior.
São cinco os Yamas, princípios básicos de disciplina e de autodomínio: a abstenção da violência, da mentira, do roubo, da perversão sexual e da possessividade.
1. AHIMSA (não violência) – para com os outros, para conosco, para com qualquer forma de vida, e em sentido mais lato, abarca não só a agressão física como a verbal e até em pensamento;
2. SATYA (verdade) – mais do que a abstenção da mentira ou da ocultação é fazer com que os nossos atos coincidam com o nosso discurso, e que este coincida com o que pensamos; fazemos o que dizemos e dizemos o que pensamos;
3. ASTEYA (não roubar) – não só o que é físico mas também pensamentos e ideias; em sentido amplo implica também não cobiçar;
4. BRAMACHARYA (correto uso da energia sexual) – controle dos impulsos sexuais não necessariamente no sentido da castidade mas sim da abstenção da perversão sexual e da multiplicidade de parceiros;
5. APARIGRAHA (desapego) – abstenção da possessividade, desapego quer em termos físicos como mentais e emocionais, não significa que fiquemos desprovidos de tudo mas sim que devemos trabalhar a noção do essencial face ao supérfluo.
São cinco os Nyiamas, a base moral do yoga: pureza, contentamento, auto-superação, auto-estudo e entrega ao absoluto.
1. SAUCHA (pureza) – física através de uma higiene cuidada e uma alimentação saudável, emocional através do cultivo de bons sentimentos, e mental através da meditação;
2. SANTOCHA (contentamento) – é encontrar a felicidade em nós, não dependendo de terceiros ou de circunstâncias, é serenidade, é ver o copo meio cheio e não meio vazio;
3. TAPAS (auto-superação) – é ter força de vontade para alcançar os objetivos a que nos propomos, é ser perseverante e não desistir em situações mais difíceis e face a obstáculos que nos surjam, é ultrapassar o que julgamos serem os nossos limites;
4. SVADHYANA (auto-estudo) – o estudo do “eu”, a busca pelo autoconhecimento, e também o estudo das escrituras sagradas;
5. ISHVARA PRANIDHANA (entrega ao absoluto) – acreditar no Ser Supremo, ter consciência que não controlamos muita coisa mas mesmo assim entregarmo-nos ao nosso destino, ter fé.
Estas ferramentas se aplicadas com sinceridade na vida prática guiam-nos no sentido da ação correta, da ação virtuosa, ajudando-nos a percorrer a jornada da vida com paz e serenidade.
Também na prática de yoga estes princípios devem estar sempre presentes. Sem eles não há progresso espiritual, sem eles não há yoga.

Beterraba

Ando a redescobrir a beterraba desde que a encontrei na mercearia ao pé de casa ao natural e ainda com os talos e as folhas, e agora faz parte do meu dia-a-dia. É um legume maravilhoso e adoro a forma como rapidamente pinta tudo de rosa à sua volta, mas dado o seu sabor peculiar ou se adora ou se detesta. É riquíssima em folatos (vitamina B9/ácido fólico) o que a torna num alimento de eleição para as grávidas. É também rica em minerais como magnésio, potássio, ferro, cobre e fósforo, e ainda em vitamina C e em fibras. Por tudo isto tem imensas propriedades medicinais como, por exemplo:
• Fortalece o sistema reprodutor, quer feminino quer masculino, sendo até considerada afrodisíaca;
• Purifica o sangue, tem propriedades anti anémicas, alcalinizantes e hipolipemiantes (diminuição dos lípidos do sangue);
• Aperitiva, ao estimular a produção dos sucos gástricos;
• Laxante;
• Anticancerígena, principalmente quando ingerida crua.
O uso culinário da beterraba é infindável e cá em casa usa-se tudo desde a raiz, ao caule e às folhas. Quer seja na sopa, saladas, arroz, massas, assados ou batidos, as escolhas são imensas. O meu favorito: batido de banana e pera com beterraba.
• 1 banana
• 1 pera
• 1 rodela de beterraba crua
• 1 pouco de gengibre cru
• Canela em pó a gosto
• 1 copo de bebida de arroz ou amêndoa ou côco ou outro (menos leite animal que jamais se deve misturar com fruta)
• Misturar tudo no liquidificador
• E bom apetite!

Yoga

O Yoga é uma filosofia de vida. É uma ciência espiritual de autodesenvolvimento e autorrealização que nos ajuda a desenvolver o nosso verdadeiro potencial e a despertar a nossa mente para a consciência suprema, que é o verdadeiro propósito da evolução humana. Os vários métodos do yoga abarcam desde posturas físicas (ásanas) a técnicas respiratórias (pránáyámas), descontração (yoganidrá), mantra e meditação, e proporcionam força, flexibilidade e equilíbrio aos corpos físico, mental e emocional.